CONTOS

CONTOS RECOLHIDOS DO BASQUETEBOL 1 - NA BUSCA DE UM AUTÓGRAFO DA PAULA, QUASE FUI PRESO

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SEM SABER FALEI COM DONA ILDA, MÃE DA PAULA, POR TELEFONE

            Sempre que podia, fazia uma viagem atrás do basquete como sempre. Algumas vezes, cheguei a ficar de fora do ginásio por não encontrar ingresso. Mas num jogo Piracicaba x Santo André pelas finais do campeonato Paulista feminino, na cidade de Piracicaba, não tenho em mãos a data do jogo, mas foi na década de 90. Eu já tinha autógrafos de várias jogadoras, mas, falta uma que estava difícil de obter, não porque ela não atendia seus fãs, muito pelo contrário, atendia a todos mas, a multidão que corria atrás dela no final de jogo, se tornava bem difícil essa minha missão. Essa jogadora era a Maria Paula Gonçalves da Silva, ou simplesmente, Paula.

            Fiz todo o planejamento dessa viagem; primeiro passo foi ligar para o clube e pedir reserva de um ingresso. Tive a maior surpresa ao ser atendido; quem me atendeu foi uma senhora chamada dona Ilda Borges Gonçalves da Silva, mãe da Paula!

            Depois que  contei a ela a minha historia de torcedor e fã da Paula, ela simplesmente me disse: “quando você quiser ver jogos das minhas filhas, é só me avisar que não irá mais ficar de fora por causa de ingresso...”

            Depois disso, procurei um presentinho que falasse de minha cidade e a única coisa que encontrei foi um café em pó, onde citava o nome de São Tomás de Aquino. Sai de casa na sexta-feira de ônibus, para chegar ao sábado de manhã, em Piracicaba. Tive que dormir (ou um pequeno cochilo) na rodoviária de Campinas, para no primeiro horário, seguir para meu destino final.

            O ginásio  Waldemar Blatkauskas localizado antes da estação rodoviária e como o jogo era de manhã, preferi descer no local do jogo.  O movimento da torcida já era grande bem antes do inicio do jogo e lá eu estava feliz por poder assistir a mais um jogo. A fila de entrada já era enorme e eu já contava os minutos para chegar no interior do ginásio em buscas de minhas realizações, já tinha autógrafos da Branca, da Janeth, da Karina, mas falta o da Paula.

            Já entrando no ginásio, ou quase, outra surpresa, só que bem diferente do telefonema, rsss. A polícia me deu busca e tive que abrir a mochila e encontrou o pacote de pó de café. Dei todas as explicações pedidas, mas a policia não me autorizou a entrar e fiquei numa das esperas mais longas que já tive. Com a demora, eu estava cansado e sem dormir, cheguei a sentar no chão enquanto as pessoas que entravam me olhavam com aquele ar de desconfiança.  O jogo começou até mesmo  o policial foi ver o jogo e eu passando  a maior vergonha do mundo m uma vez que, tinha a certeza que não devia nada.

            Até que apareceu um senhor e veio falar comigo e assim que narrei tudo, ele me disse: “pode entrar”. Eu disse a ele, mas a policia que me parou aqui e ele disse novamente, “pode entrar”.

            Ele me ajudou a encontrar a dona Ilda e pude entregar minha simples lembrança da minha cidade. Vi o jogo e o time de Piracicaba perdeu. Foi em busca do meu autógrafo e pela multidão que cercava a Paula, ainda não foi  daquela vez que tive esse sonho realizado.

            Depois o caminho de volta pra casa, segunda-feira, dia de trabalho e de renovar a esperança de ver mais um jogo de basquete.

            Hoje, décadas depois, sinto não ter pegado o nome daquele senhor, que caiu do céu, e me autorizou a entrar no ginásio e também nunca mais vi a dona Ilda.

Muito tempo depois, soube que quem transporta drogas, usa sempre pó de café para disfarçar o cheiro....

No meu caso, além do pó de café, carregava muita esperança de ver um jogo de basquete.

Obs: não tenho nenhuma foto do jogo, eu não tinha câmera...

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